CONTATO

1. A crise da orfandade

Um dos maiores desafios enfrentados pela sociedade moderna, principalmente a Igreja Cristã, é o número crescente de crianças que crescem sem o carinho de seus pais e sem conhecer seu Pai Celestial.
A Unicef (Fundo da ONU para a Infância) identificou cerca de 3,7 milhões de crianças no Brasil como órfãos de pai ou mãe.

Crianças vulneráveis, vivendo debaixo de uma cultura de abandono e rejeição, suscetíveis à exploração e ao abuso. Elas são severamente mal equipados para sobreviver e prosperar como adultos, mesmo tendo crescido na melhor instituição de acolhimento possível. Uma “Nação Órfã” sem esperança ou perspectiva para o futuro.

o que é orfandade?

O conceito de orfandade tem mudado em nossas dias. Hoje estamos cercados por uma multidão de crianças que, mesmo tendo o pai e/ou a mãe em casa, vivem uma situação de vulnerabilidade, risco e escassez de afeto. Todas elas estão tendo seus direitos igualmente roubados e seu desenvolvimento integral comprometido. Por isso costumo afirmar que vivemos numa geração de órfãos de pais vivos.

A orfandade não é um fenômeno dos marginalizados sociais das periferias das cidades brasileiras. Os filhos órfãos são uma legião e estão entre nós, ao nosso lado.

‘A morte física dos pais não é condição necessária para o filho se transformar em órfão. E a presença deles não é, por sua vez, uma garantia contra a orfandade.’ - Sergio Sinay

Aqui queremos ampliar o nosso entendimento sobre a palavra “órfão” por meio da sua definição nas línguas hebraica e grega, usadas nos textos originais da Bíblia.

A primeira vez que a palavra “órfão” aparece na Bíblia, em hebraico, é no livro de Êxodo 22.22. E, no original, ela é a palavra “yathowm”, que significa ‘um órfão, sem pai, usado para uma criança que está em luto de seu pai somente’.

Já no grego, a palavra para “órfão”, no Novo Testamento, é “orphanos” que significa “desprovido (do pai, dos pais); aqueles desprovidos de um professor, guia, guardião; órfão”.

Aqui, vemos que a orfandade não está restrita à ausência física do pai biológico, mas também relacionada com a falta de um professor, guia e guardião.

Segundo o apóstolo Tiago “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: cuidar dos órfãos…” (Tg 1:27). Algumas versões traduzem esse “cuidar” como “visitar”. Talvez por isso, muitos cristãos acreditam que a nossa missão se limita apenas a simplesmente visitar um abrigo e levar alguns presentes uma vez por ano no dia das crianças, ou no Natal.

Muitos até acham bonito o nosso discurso, mas acreditam que é uma causa apenas nossa por sermos pais adotivos, uma causa pessoal.

O verbo que Tiago usou de forma intencional vai muito além de uma visita descomprometida com a transformação da realidade dos órfãos.

Esse “cuidar” é buscar conhecer de perto a realidade de alguém a fim de ajudar, oferecer o cuidado necessário. É visitar porque se importa com a pessoa. E essa visita traz a resposta de Deus para a situação, provendo o cuidado que está faltando.

E o que está faltando na vida dos órfãos? Abrigos? Comida? Roupas? Brinquedos? Não! Pais. Dessa forma, eu e você somos chamados para sermos os pais que essa geração de órfãos tanto clama.

Se não estamos vivendo essa
religião de Tiago 1:27, que tipo de religião
estamos vivendo aos olhos do Pai?

RAÍZES DA ORFANDADE Brasileira

Darcy Ribeiro, um renomado antropólogo brasileiro, para escrever seu livro “O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil” procurou responder uma pergunta que inquietou sua mente por mais de 30 anos: Por que o Brasil ainda não deu certo?

Para responder esse questionamento ele retorna a este lugar de origem da nossa pátria narrando a origem do povo brasileiro em meio a um contexto de dupla orfandade. De acordo com o autor, os brasilíndios ou mamelucos paulistas, os primeiros brasileiros, foram vítimas de duas rejeições drásticas:

1) A primeira rejeição foi por parte dos pais, homens brancos europeus que geraram filhos nas índias (por vezes fruto de estupro), mas não reconheceram, nem exerceram a paternidade. Foram homens com quem os primeiros brasileiros deveriam se identificar, mas tais homens os viam como impuros filhos da terra, aproveitavam bem do seu trabalho enquanto meninos e rapazes e, depois, os integravam às suas Bandeiras, onde muitos deles fizeram carreira.

2) A segunda rejeição era por parte da tribo indígena. Na concepção dos índios, a mulher era um simples saco em que o macho deposita sua semente. Quem nasce é o filho do pai, e não da mãe, assim visto pelos índios.

Segundo Darcy, não podendo identificar-se com nenhum de seus ancestrais, que os rejeitavam, os brasilíndios caíam numa terra de ninguém. E foi a partir deste lugar de total ausência da figura paterna e profunda orfandade que a identidade dos brasileiros foi construída.

QUEM SÃO OS ÓRFÃOS do Brasil?

  • 1CRIANÇAS QUE PERDERAM AMBOS OS PAIS.

  • 2CRIANÇAS QUE PERDERAM UM DOS SEUS PAIS

  • 3CRIANÇAS QUE SÃO ÓRFÃOS DE PAIS VIVOS.

3,7 O Brasil tem milhões de orfãos (Fonte: Unicef).

O Brasil está na posição entre as nações em desenvolvimento com o maior número de órfãos no mundo (Fonte: Unicef).

+48.000

crianças e adolescentes (Fonte: Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas - CNCA)

8.540

é o número de crianças e adolescentes cadastradoss no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). (Fonte: Cadastro Nacional de Adoção 29/03/2018)

4.852

Crianças disponíveis para adoção. (Fonte: CNA 29/03/2018)

43.512

Pretendentes para adoção no Cadastro Nacional de Adoção. (Fonte: CNA 29/03/2018)

As estimativas acima não incluem qualquer contagem da grande população de crianças que vivem nas ruas, ou vítimas de tráfico humano, exploração sexual infantil e trabalho infantil.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES INVISÍVEIS

Uma das situações mais preocupantes é a situação das mais de 48,000 crianças que vivem em acolhimento institucional no país. É um assunto delicado, pois apesar da maioria das crianças estarem recebendo os cuidados básicos necessários, como abrigo, roupa, comida, etc, pesquisas têm demonstrado que a própria institucionalização afeta negativamente o desenvolvimento da criança e do adolescente.

Mesmo que a instituição se esforce para criar um ambiente familiar, as crianças e adolescentes acolhidos estão restritas à dinâmica institucional limitada pela rotatividade de cuidadores e rotinas grupais. O ambiente afetuoso e personalizado, a atenção individualizada, a intimidade e a cumplicidade são características próprias da relação familiar.

Muitas dessas crianças e adolescentes enfrentam situações em que, num lado seu processo de reintegração na família de origem não progride por fatores de burocracia e falta de resposta por parte das suas famílias, e no outro lado, o poder familiar não está destituído ou a criança encontra-se com alguma característica que dificulta sua adoção (problema de saúde, faz parte de um grupo de irmãos, idade, etc.)

Essas crianças são invisíveis e esquecidos pela maioria da sociedade, tendo seu direito à convivência familiar violado.

O silêncio em face do mal é o próprio mal; Deus não vai nos manter inocentes; não falar é falar, não agir é agir. - Dietrich Bonhoeffer

O que fazer
diante dessa
injustiça com
as crianças
brasileiras?

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